Song Lunático Contemporâneo

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Escrito por Tico Sta Cruz .

Escuta a chuva batendo no vidro. Parece que viraram o oceano de cabeça para baixo. Ouça. Cada pingo gigante. Parecem besouros querendo invadir nosso quarto e se jogando contra a parede. Você é tão bonita. Gosto do seu cheiro. Me deixa respirar no seu pescoço... Como se eu fosse um bicho em busca de alimento, como se você fosse me ressuscitar. Como seu eu fosse arrancar sua alma com os dentes, como se você fosse... você é. Sua voz me acalma, mas a forma como me olha tira o meu sossego. Escuta... Senta aqui no meu colo. Me abraça com suas pernas. Encosta bem seu corpo em mim. Mela minha barriga. Deixa seu perfume impregnado no meu peito. Lembra? Naquele exato momento em que me disse algumas palavras e não entendi. Depois fiz questão de não entender, que era para que você chegasse mais próxima de mim. E quando te aproximou e segurei delicadamente nas suas mãos, tive certeza de que a gente se encontraria novamente. Não sabia seu nome, nem de onde tinha vindo, não sabia mais de mim. O som estava alto. Tive de sussurrar no seu ouvido. Quando sorriu... foi como se um caminhão desgovernado entrasse quebrando todas as vidraças. Tive de me conter. Primeiro eu fugi. Depois eu voltei. Te procurei no meio daquele monte de vultos e quando nossos olhares se cruzaram... te quis. Você me quis? Seu corpo é quente. Beijo seus seios. Lindos. Coloco entre os meus lábios. Sugo como se tivesse voltado a um estado maternal. A chuva está mais forte. Já não consigo te ver pelo reflexo da janela. Minhas pernas tremem... suas aureolas em contraste com o branco da sua pele parecem morangos. Encaixa em mim. Bem lentamente. Bem devagar. Se eu queria tê-la? Na hora que te olhei. Pensei em te levar para o carro e te comer na esquina. Com as pessoas passando ao lado e a gente no mundo da lua. Que se fudessem todos. Eu com uma metralhadora na mão atirando a esmo. Quando eu cheguei em casa, eu tentei resistir. Mas imaginei você me chupando. Tinha certeza que você iria me enlouquecer, como me enlouqueceu agora, quando colocou a boca no meu pau. Como fez a pouco, olhando nos meus olhos e passando a língua na cabecinha. Com a ponta do dedo levantando um filete do tesão contido que guardei pra te oferecer. Assim a meia luz... quando te olho pelo espelho e minha vontade é cravar as unhas nas suas costas e te arrancar um punhado de carne, o contraste entre nós dois me deixa em transe. Vem até aqui. Abre bem as pernas, quero te observar. Desprotegida. Quero te invadir com os meus olhos. Abre as pernas. Me aproximo como um cachorro de rua. lambendo seus pés. E te lambendo as coxas, e te lambendo inteira. Tenho a noite toda pra nós dois. Só hoje. Senta na minha boca. Goza na minha boca. Senta como se estivesse derretendo sobre mim. Goza na minha língua. Molha minha barba. Esfrega com força. Eu quero te comer de quatro. Mas antes preciso que você venha comigo até aquele espelho. Preciso que você se vire de costas. Olhe nos meus olhos novamente. Preciso que você empine essa bundinha pra mim. Sinta te penetrando com força. Estocando como se estivesse lhe enfiando uma faca e arrancando suas vísceras. Entrando como se fosse arrebentar cada músculo que lhe sustenta. Vociferando um monte de insultos no seu ouvido. Por que você é uma filha da puta e agora só faz o que eu mandar. Escuta... A chuva está mais intensa. Talvez seja um enxame, talvez sejam tiros. Quem se importa? Nossos movimentos seguem um ritmo. Nossos movimentos seguem nossos instintos mais perversos. Você só goza agora quando eu quiser, quando lhe der a permissão. Parece um oceano sem fim. Molhada, escorrendo pelas pernas. Se ajoelha na minha frente, sente seu gosto no meu pau. Quando te olhei naquele dia no meio daquela gente, eu tive certeza que iríamos estar aqui. Me dá um tapa na cara. Espatifa com força a mão no meu rosto. Mais forte. Olha... a marca das suas mãos.... Passo delicadamente meu nariz no seu, sinto seu hálito, sinto cheiro de sexo... Eles tem um monte de perguntas e respostas lá fora debaixo dessa chuva... Preocupações. Eles tem um monte de explicações para tudo, e se nos vissem aqui ficariam rubros de vergonha. Você nua, linda, flutuando... Vou deixar apenas uma vela acesa agora. Bebe o último gole de vinho da minha boca, suga até a última gota. Quando chegar a primavera e você estiver em algum lugar por ai... tenha certeza de que se nos encontrarmos novamente, viveremos tudo isso de novo. Mas por enquanto me beija. Por enquanto morre comigo, pelo menos por esses segundos... Logo a gente volta ao fluxo normal, a chuva passa e te deixo ir... Mas por enquanto me deixa sentir seu gosto. Só minha. Só hoje. Aqui nos meus sonhos. Reais?

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